Espiritualidade do Joven Mariano-Vicentino no Mundo de Hoje

Juan BELLIDO

1. Em jeito de introdução: um desafio

Ao longo dos próximos minutos vos falarei de um desafio.

Não descubro nada de novo se começar por dizer que em qualquer época se pode ser vicentino.

O ser vicentino em essência e conteúdo é eterno. Mas também é certo que para novas realidades e desafios sociais, não se pode continuar a aplicar os mesmos costumes e normas para continuar a ser vicentino

Se do que se trata é de vicentinos jovens, é, ainda mais urgente actualizar a maneira de ser fiel à mensagem de S. Vicente, mas tendo em conta que essa mesma fidelidade nos impõem ser testemunhas activas da actualidade e dos seus desafios.

Porque vos falarei da Espiritualidade do jovem mariano-vicentino no mundo de hoje, digo que vos falarei de um desafio paradoxal: o desafio de buscar a justa interacção entre o  permanente, o estático e o eterno e por outro lado o novo, o dinâmico e ás vezes urgente.

O mundo está em constante transformação, assim, por exemplo, sabemos melhor do que nunca que o mundo está dividido em dois bairros: o bairro dos prósperos que representa 17% da população mundial e o bairro onde vivem os 83% restante dos habitantes.

E sabemos, além disso, destes dois bairros: que 95% das informações que se geram nos meios de comunicação a nível mundial, falam só do 17% da população, - sobre a que vive no bairro próspero -. O novo: os meios de comunicação e o fluxo de informação; o velho e caduco: que quase sempre falam os mesmos e do mesmo, - do seu -, silenciando, por um lado a voz de 83% e as consciências do 17% restante.

O paradoxo aparece em inverter os termos com olhos vicentinos e que o novo seja o uso dos meios de comunicação como ferramenta profética e que o velho se torne sábio e use esses mesmos meios para agitar as consciências do bairro próspero e levantar a voz do resto.

Também sabemos que o mundo está mais encadeado do que nunca. No dia de hoje, - 9 de agosto de 2005 -, realizar-se-ão tantas chamadas de telefone como as feitas ao longo de todo o ano de 1983, mas isso não evita que metade da população mundial não conheça um telefone. Só pensar que na Ilha de Manhattan – um distrito de New York, nos EUA - há tantos computadores e telefones como em todo o continente africano.

O novo e o caduco, com olhos vicentinos: encadeado não significa comunicado…

Que o mundo está em constante transformação, dizia, e já não é o que era quando o jovem Vicente de Paulo tinha 15 anos (em 1595), nem de 1645 em que viveu Luísa de Marillac.

Mas ao mesmo tempo, em essência a reflexão vicentina por permanente e velha não deixa de ser actual, assim Vicente – permiti-me a familiaridade e que omita o “São” -, nos seus 15 anos não se afasta muito de alguns adolescentes de hoje, ele mesmo escreve:

“recordo-me de que, quando era jovem, quando o  meu pai me  levava à cidade, como estava mal trajado e um pouco coxo, tinha vergonha de ir com ele e de reconhecê-lo como meu pai.”… Até aqui a mesma crise de valores, que podem apresentar muitos dos rapazes e raparigas com os quais trabalhamos pastoralmente. Ora bem, não nos pode escapar um olhar de conversão quando continua escrevendo: “Miserável de mim…!”.

O novo: é que hoje sabemos pôr nome a essas atitudes de adolescente, e que ao mesmo tempo temos – ou deveríamos ter – à nossa disposição disciplinas como a pedagogia, a psicologia e outras e as suas aplicações à catequética e à pastoral juvenil, que nos permitem reconduzir evangélica e cientificamente esses pensamentos para que derivem na desculpa “Miserável de mim…!”.

O que não seria tolerável é que nos esquecêssemos dessas disciplinas e dos conhecimentos que elas nos trouxeram, - ao menos nos líderes do movimento - , e que isso nos leve a abandonar com olhar novo e ao mesmo tempo derrotista, a causa dos jovens que se envergonham dos seus pais, da Igreja, da sua condição cristã, e até de si mesmos.

Também Luísa, – permiti-me que omita, por familiaridade, “de Marillac”- aos seus 51 anos, nos apresenta um modelo de extrema actualidade quando andava duplamente preocupada com os seus labores humanitários (como lhe chamaríamos hoje) e com o seu indisciplinado filho Miguel. Ela já tinha vislumbrado a Companhia e vivia em comunidade com as jovens “Serventes dos Pobres”, e já se tinha resolvido a dificuldade de organizar-se de um modo novo na Igreja, ainda lhe restava procurar o equilíbrio consigo mesma e com as suas obrigações de mãe.

Desde logo deve ser nova a solução para resolver os problemas dos filhos: - Luísa e S. Vicente procuraram uma namorada para o jovem e aloucado Miguel -, mas a essência é eterna e ao mesmo tempo actual, há que aprender a harmonizar a vida familiar com o compromisso para com os mais pobres, sem que o primeiro sirva de desculpa para deixar de fazer o segundo nem vice-versa.

O velho e o novo…. E o desafio de discernir sobre isso na chave de leitura evangélica: (...) Ninguém vota vinho novo em odres velhos; pois, o vinho novo rebentaria os odres e perder-se-ia tanto o vinho como os odres; vinho novo, em odres novos (Mc, 2, 22-23)

2. Ser jovem, leigo, cristão e vicentino hoje:

Pode-se ser cristão em qualquer época, basta ler Tertuliano – primeiro escritor cristão de língua latina, e padre da Igreja – quando descreve como os cristãos de então viviam como os demais homens e mulheres, mas com um espírito novo: não o egocêntrico do mundo pagão, mas o aberto aos outros da mensagem de Jesus.

O espírito novo a que estamos chamados os vicentinos tem uma identidade própria no seio da Igreja:

2.1 Seguindo os passos de Jesus de Nazaré e o sentido que deu à sua vida terrena.

Defino desde esta óptica, a  vida como o valor que cada um de nós acrescenta à criação.

O mundo está por construir e cada um de nós é chamado a ser construtor e ao mesmo tempo obra, assim os nossos irmãos também são obra nossa e construtores de nós. É o sentido que tem o facto de termos sido criados por Deus.

Assim entendo eu a vida, cuja equação é:

V= t x d

Onde:

V= vida = valor que acrescentamos à criação.

t= o tempo que estamos neste planeta. É o tempo que realmente estamos vivos.

d= densidade de aproveitamento temporal, determinado pelo esforço que realizamos para que este mundo seja mais justo, mais pleno de amor, em definitivo, mais parecido ao mundo que Deus tem desenhado para nós.

Isto nos situa diante das perguntas: que queres conseguir? Porquê e para quê vale a pena lutar? As respostas em Jesus e na sua mensagem de Nova Humanidade.

2.2. Tendo Maria como o modelo perfeito do discípulo do Senhor:

A JMV entendo eu, deve ter Maria como modelo de imitação e de virtudes, e desde logo não deve ser abafado o seu alegre ímpeto de paixão solidária para com os seus irmãos, debaixo do manto passivo da veneração e do culto. Disso dá conta o seu hino de louvor, o Magnificat.

Desde logo, a Maria que se torna compatível com a sua própria história e com a do seu Filho, está mais perto da mulher com a capacidade de denúncia e anúncio que da imagem amável, doce e piedosa que nos altares, quase parece esquecer o tom libertador do seu Filho.

Paulo VI, escreve: “Maria de Nazaré, apesar de absolutamente abandonada à vontade do Senhor, longe de ser uma mulher passivamente submissa ou de uma religiosidade alienante, foi, sim, uma mulher que não duvidou em armar que Deus é vingador dos humildes e dos oprimidos e derruba dos seus tronos os poderosos do mundo (cf. Lc 1,51-53)”. E prossegue “…a figura da Virgem Santíssima não desilude algumas aspirações profundas dos homens do nosso tempo, e até lhes oferece o modelo acabado do discípulo do Senhor: obreiro da cidade terrena e temporal, e, simultaneamente, peregrino solerte também, em direção à cidade celeste e eterna; promotor da justiça que liberta o oprimido e da caridade que socorre o necessitado”.

Os vicentinos, olhando para Maria, para a profundidade da sua fé, expressa nas palavras do Magnificat, somos chamados a ler que não se pode separar o seguimento de Jesus da manifestação do seu amor preferencial pelos pobres e os humildes.

A exortação apostólica discorre numa linha em que considera o Magnificat como um cântico de transformação profética e libertadora: “Manifestou o poder do seu braço e dispersou os soberbos. Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes. Aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias” (Lc.1, 51-53).

2.3. Tendo como modelo a Vicente de Paulo na prática quotidiana de justiça social.

Sabemos que estamos muito longe de ter um tipo de sociedade na qual todos comam três vezes por dia, que é o mínimo que se pode pedir a uma sociedade para poder ser considerada justa.

Esta é a principal e meridiana preocupação que podemos ter os vicentinos.

Em meu entender são duas as frentes em que temos de trabalhar, desde a educação com a juventude para que realmente esta prioridade seja assumida com espírito evangélico:

* Lutar contra a aporofobia:

A raiz da palavra -"aporo"- significa "pobre", o que não tem fortuna, o que vive excluído, e que em algumas ocasiões nem sequer é visto pelos seus semelhantes.

As fobias consistem num afastamento insuperável que sentimos por algo.

Assim,  "aporofobia” é o afastamento que não nos oferece mudança.

As nossas sociedades cada vez mais definidas pela lei do mercado, onde parece que tudo se compra e se vende, podem cair no pecado de fazer balaços dos resultados também acerca dos humanos. E os pobres inclinam a balança do deve e do haver para o lado pouco benéfico desde o ponto de vista económico e às vezes, nem tão pouco do ponto de vista da satisfação pessoal.

Este pensamento, pode-se colar, quase sem nos darmos conta, às nossas vidas e determinar quem são os nossos amigos, os nossos namorados, os nossos irmãos de comunidade, os destinatários das nossas catequese ... e nada pode estar mais longe do ensinamento de S. Vicente do que isto.

* Lutar contra a síndroma do homo-adquiridor:

Muito se tem escrito sobre a sociedade consumista, mas creio que parte do nosso mundo é já mais “adquiridor” que consumista.

Parece que as máximas da nossa sociedade são: adquires logo existes, ter mais que desfrutar do que se tem, acumular coisas, coleccionar consumíveis sem valer-se utilmente deles.

E à frente ou ao lado, os pobres, que não adquirem, que não têm, que não fazem sequer as coisas indispensáveis. E às vezes, os pobres também contagiados do síndroma do homo-adquiridor como passaporte para a existência.

Devemos educar para que a nossa espiritualidade seja a de partilhar como objecto de alegria, para promover o justo uso das riquezas do planeta, para fazer ver que a cidadania não é só o respeito das normas locais mas que deve incluir a disposição para sacrificar os individualismos em prol do bem comum.

3. Modo de ser leigo hoje: relação com o resto dos membros da Igreja.

De um modo gráfico representarei o modelo que entendo como o jovem leigo deve funcionar em relação com o resto dos membros da Igreja: sacerdotes, religiosas, hierarquia, e outros irmãos, etc.

Estes dois primeiros modelos são como segundo ao longo da história, mas não em todas as épocas, nem muito menos, funcionamos os leigos em relação à hierarquia eclesial e com os “consagrados”. É o modelo aplicável a como se distribuiu o conhecimento teologal e a reflexão acerca da Verdade.

 

 

 

A fundamentação de que isto não é o desejável, o farei baseando-me nas próprias palavras do então professor Ratzinger, no seu livro O novo povo de Deus (que foi editado no seu original alemão em 1972) onde nos diz que o “ofício” cristão não é uma herança ou derivação do sacerdócio da antiga lei, mas uma derivação de Cristo mesmo:

“Cristo não foi sacerdote, mas leigo. Considerado do ponto de vista israelita, juridicamente não possuía nenhum “ofício”. E, contudo, Cristo não se entendeu a si mesmo como intérprete de desejos e esperanças humanas, algo assim como a voz do povo, como o seu mandatário secreto ou público, nem compreendeu a sua missão desde baixo, como se falássemos em sentido democrático. Pelo contrário, se apresentou aos homens sob o “imperativo” ou necessidade de um mandato divino claramente perfilado, com a autoridade e missão de cima, como aquela a quem o Pai tinha enviado” (p. 123).

Este outro é o modelo que entendo que necessitamos na Igreja hoje, com a única intenção, não de partilhar poder mas de assumir responsabilidades, apresentar criativas soluções a problemas endémicos e tantos outros assuntos sobre os quais devemos trabalhar todos para tornar realidade o projecto de Deus.

 

Este modelo levanta sérias questões metodológicas e também de fundo. Para ilustrar a reflexão citarei de novo Ratzinger (no mesmo livro) levantando interrogações sobre qual será a atitude do cristão diante da Igreja: de crítica (por amor à pureza da Igreja), de obediência calada (por razão da sua missão) ou qual outra?

“Não é por acaso que os grandes santos não só tiveram que lutar com o mundo, mas também com a Igreja, com a tentação da Igreja de fazer-se mundo, e sob a Igreja e em Igreja tiveram que sofrer; um Francisco de Assis, um Inácio de Loyola... Não cedeu um ápice da sua missão, nem tão pouco da sua obediência à Igreja... Contudo, a verdadeira obediência não é a obediência dos aduladores (os que são qualificados pelos autênticos profetas do AT de “profetas impostores”), que evitam o choque e põem a sua intangível comodidade por cimas das coisas...O que precisa a Igreja de hoje (e de todos os tempos) não são panegiristas do que existe, mas de homens em quem a humildade e a obediência não sejam menores do que a paixão pela verdade; homens que dêem testemunho a despeito de todo desconhecimento e ataque; homens, numa palavra, que amem a Igreja mais que a comodidade e intangível do seu próprio destino” (p. 290).

E continua com reflexões carregadas de peso, que entendo legitimam este último modelo relacional, já não só no referente ao laicado, mas também a todos os membros da Igreja:

“Segundo isto, o primado do papa não pode entender-se com o modelo de uma monarquia absoluta, como se o bispo de Roma fosse o monarca, sem limitações, de um organismo estatal sobrenatural, chamado “Igreja” e de constituição centralista... (p. 23).

4. Desafios formativos para JMV 

*Educar para a criatividade

Façamos uma experiência entre nós aqui. Tereis quatro segundos para desenhar aquilo que eu vos diga. Tende todos preparado: um papel e uma caneta. Recordai que só tereis quatro segundos a partir de que eu vos diga. Agora começareis a desenhar em quatro segundos ... “uma flor”... Já... Por favor, passai-me os papeis…

Recordemos que há um minuto defini a vida como o valor que acrescentamos à criação. O nosso novo mundo necessita de novas soluções ou ao menos de soluções criativas.

Vejamos o sucedido e que podemos dizer da criatividade, em relação com o pensamento único…

Explicarei com um conto:

Diz-se que uma manhã um pai levava a sua filha à escola a primeira vez. A menina deixava ver no seu rosto a alegria de iniciar um novo período na sua vida, ainda que ela não soubesse por quê estava tão contente e dizia:

-         Bem, irei à escola, descobrirei a minha sala.

Ao chegar ao colégio, uma séria porteira lhe disse indicando com o índice mais recto que jamais alguém tinha visto:

-         Esta é tua turma.

A menina foi até à porta pensando:

- Bem, agora haverá mesas de cores, sentar-me-ei onde quiser e…

a professora disse-lhe:

- esta é a tua carteira

A menina atenta escutou a seguinte indicação da professora que dizia:

- Hoje vamos desenhar…

E a mente da menina corria mais que os seus ouvidos e pensava em desenhar, tigres, dragões, princesas, belos mares e plantas de inexistentes cores.

- Hoje desenharemos uma flor. Prosseguiu a professora.

- Bem!! Espontaneamente gritou a pequena imaginando uma flor de múltiplas cores e pétalas com formas geométricas até agora nunca vistas pelo ser humano.

A aproximou-se pela calada da menina e sem lhe dar tempo para poder o lápis no papel, e disse-lhe amavelmente:

- Olha... as flores desenham-se assim.

E a menina … nunca mais usou a sua criatividade para imaginar flores.

É importante que eduquemos sem matar a criatividade. E atentos a que estes excessos conduzem ao pensamento único, à globalização das soluções únicas e à morte da dissidência que torna possível a transformação criativa do mundo em chave evangélica.

*Educar para a oração pró-activa e para a contemplação na acção

Está claro que só quem é capaz de escutar os soluços do mundo e interpretá-los como sussurros divinos poderá levar a cabo o projecto de Deus sobre o mundo.

É esta a definição da oração pró-activa, isto é, aquela oração que incita a fazer alguma coisa que torne realidade o plano salvífico de Deus.

Ao mesmo tempo, durante as ocupações diárias dos homens temos de ensinar a encontrar a Deus, tendo em conta que “Deus fala sempre por meio dos homens, seus amigos e às vezes também pelos seus inimigos” (GS 44,3). Isto é, ler a vida com os olhos da fé, como se de uns óculos se trata-se e o importante... chega quando formos capazes de esquecer que os temos postos.

É este o desafio do casamento entre a acção e reflexão orante.

*Educar para a pertença associativa

A presença associativa dos crentes na sociedade é uma urgência e no nosso movimento uma realidade a não descuidar.

Os jovens vicentinos têm de ter as ferramentas pessoais suficientes para entender, purificar e participar com critério evangélico e liderança nos processos sociais.

Há que continuar a educar para que os crentes tenham uma presença activa e contribuições nos grandes problemas da sociedade.

Isto tendo em conta que não se pode servir a Deus sem servir aos homens, e que não se pode tornar presente o evangelho na sociedade sem passar pelas consciências. Consciência e liberdade são dois pólos que deveriam orientar uma acção responsável diante dos problemas do mundo e também para dentro da própria Igreja.

*Educar para viver a fé como micro-igreja

Ainda que o ideal é viver o ser cristão no seio de uma comunidade e de um contexto social no qual se possa desenvolver a liberdade religiosa com naturalidade, também é certo que em numerosas ocasiões e localidades do planeta isto não é tão fácil.

Nos países em que se sofre e se é perseguido por motivos religiosos isto é evidente, e naqueles onde a sociedade laicista torna difícil declarar-se abertamente cristão ou é difícil encontrar uma comunidade de referência vicentina onde viver a fé, aparte da comunidade eclesial reunida em volta da mesa o domingo, é necessário ter uma fé pessoal sólida.

É o caso, no lugar de trabalho, no ambiente de estudos, no contexto das famílias que se opõem à crença dos filhos, e tantas outras situações, onde ser cristão supõem ser uma micro-igreja.

Creia que é importante educar como micro-igreja com a ânsia de partilhar como macro-igreja local e universal.

Que cada cristãos se considere uma micro-igreja: supõem que todo o evangelho lhe está dado como graça a ele, encarregando-o ao mesmo tempo de manter-se Igreja no mundo.

Já disse que o ideal é ter uma comunidade de referência, mas onde a comunidade não está presente e diante de decisões na solidão, o treino dos nossos jovens deve ser a partir do enfoque personalista da micro-igreja, onde o indivíduo tenha a flexibilidade suficiente para deitar mão da oração pró-activa que o mova a actuar em consciência e liberdade de espírito em fidelidade à mensagem salvífica.

Termino como comecei: em qualquer época se pode ser vicentino, e acrescento, além disso todas as épocas o necessitam. Esta também.

Paris, 9 de agosto 2005.